A palavra presépio, do latim praesepe oupresepium, significa estábulo, lugar onde se recolhe o gado.
Presépio também é a designação da representação simbólica do nascimento de Jesus num estábulo.
O Presépio é aceito em todas as religiões cristãs como o único símbolo do Natal verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.
As pequenas esculturas representando os personagens envolvidos ao nascimento de Jesus surgiram no sec. IV, com Sta. Helena, em Roma. Porém, a introdução do Presépio à celebração do Natal, deve-se a São Francisco de Assis.
O Presépio idealizado por São Francisco foi apresentado em 1223, dentro de uma gruta na floresta de Greccio, na região do Lácio, Itália Central.
Assim, como narra Frei Tomás de Celano, era dezembro e o dia do Natal se aproximava...
São Francisco se encontrava na aldeia de Greccio e lia, numa de suas longas noites dedicadas à oração, um trecho de São Lucas que lembrava o nascimento
de Cristo.
Inspirado pela leitura, teve a idéia de montar um presépio em tamanho natural, numa gruta do lugar.
Há uns quinze dias do Natal, mandou chamar um homem de nome João, homem de espírito nobre e de grande bondade que vivia naquela aldeia e a quem tinha especial amizade, e lhe disse:
“Se quiser que celebremos o Natal em Greccio, é bom começar a preparar diligentemente desde já o que eu vou dizer:
Quero reavivar a memória do que aconteceu em Belém, lembrar o Menino que nasceu no estábulo, as necessidades de recém-nascido que passou, como foi posto numa manjedoura, e contemplar com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”.
Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou no lugar indicado o que o santo tinha pedido.
De muitos lugares foram chamados os irmãos. Homens e mulheres do lugar, cheios de alegria providenciaram como puderam o necessário para a festa e prepararam tochas e archotes para iluminar a noite em que celebrariam aquela que trouxera a luz a todos os dias e a todos os anos com sua brilhante estrela.
E chegou o dia da alegria, tempo da exultação!
Fizeram o presépio, trouxeram a palha, um boi e um burro.
A noite ficou iluminada como o dia: era um encantamento para os homens e para os animais.
O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova.
Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade e recomendando a humildade.
O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros.
Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava.
Gruta do Presépio de São Francisco em Greccio
São Francisco estava diante do presépio
a suspirar, cheio de piedade e de alegria.
(O tempo do homem deu lugar ao tempo do espírito, onde não existe nem o hoje, nem o amanhã e nem o ontem.)
A Celebração de Natal foi feita ali mesmo no presépio e São Francisco sentiu uma consolação jamais experimentada.
Cantou o Evangelho com voz sonora. Era uma voz forte, doce e clara, convidando a todos às alegrias eternas.
Muitas vezes, quando queria nomear Cristo Jesus, chamava-O também com muito amor de “Menino de Belém”, e pronunciava “Belém” como o balido de uma ovelha, com a voz carregada de doce afeição. Também quando pronunciava “Jesus” estalava a língua saboreando a doçura dessa palavra.
Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém.
Nessa noite especial, um homem de virtude ali presente, agraciado por um dom divino teve uma visão admirável: na manjedoura vazia, pareceu-lhe ver uma criançinha imóvel, como que sem vida, e tendo São Francisco se aproximado dela, moveu-se recobrando alento.
E essa visão veio muito a propósito, porque o Menino Jesus estava de fato esquecido em muitos corações, nos quais, por Sua graça e por intermédio de São Francisco, foi reavivado e deixou a marca de Sua lembrança.
Quando terminou a vigília solene, a alegria transbordava no coração de todos!
por: Bel Pakes